Thursday, 19 November 2009 09:01    PDF Print E-mail
Moçambicano classifica Portugal para o Mundial

O macua, Carlos Queiroz, nascido em Nampula, a 1 de Março de 1953, actual treinador da Selecção de Portugal, vai ser o único moçambicano a disputar o próximo Mundial de Futebol, que começa a 11 de Junho na África do Sul  ao garantir o apuramento da selecção das quinas, que pela quinta vez na sua história vai disputar uma fase final da maior competição futebolística do planeta, depois de vencer no “Play-off” a selecção da Bósnia Herzegovina por 2-0, carimbando o passaporte para o primeiro mundial no continente africano.

No final da partida, Carlos Queiroz, humildemente afirmou que estava perante o sonho de uma vida, depois de começar a sua carreira desportiva em 1975, quando ingressou no Instituto Superior de Educação Física de Lisboa, onde se formou em Educação Física. Em 1984, começava a sua brilhante carreira como treinador, primeiro como adjunto de Mário Wilson no Estoril Praia, depois é convidado em 1987 a integrar os quadros da Federação Portuguesa de Futebol como Seleccionador Nacional das camadas jovens e faz história ao vencer o primeiro Campeonato Mundial de Juniores em Riad, iniciando a geração de ouro do futebol português com o surgimento de craques como Luís Figo, Rui Costa, Victor Baía, Domingos Paciência

Depois foi com naturalidade que Queiroz chegou a selecção principal de Portugal com esta mesma geração mas falhou a qualificação para o mundial de 1994  e foi treinar o Sporting Clube de Portugal, os “Bafana-bafana” sem sucesso, voltando a ribalta como treinador adjunto do Manchester United onde, depois de uma época como treinador principal do Real Madrid, voltou para ganhar a Premier League, a Taça de Inglaterra e a Liga dos campeões europeus voltando depois para dirigir a selecção das quinas até ao mundial da África do Sul. A vitória no Play-offZenica terá de ficar como uma noite histórica no currículo desta selecção de Carlos Queiroz, um técnico que, finalmente, contrariou a malapata de maus resultados nas selecções seniores. Num outro palco, com melhores condições, a exibição da última partida teria ganho contornos ainda mais memoráveis. É que o relvado é muitas vezes apresentado como desculpa para derrotas ou más exibições. Mas neste caso foi mesmo uma forte condicionante do jogo. Quando a FIFA autoriza encontros internacionais em estádios deste nível (quando há alternativas no país) arrisca-se a ter espectáculos inferiores ao esperado quando estão em campo jogadores de classe.O sucesso consumado em Zenica concedeu ao seleccionador português uma almofada de conforto. E não era para menos: a almejada presença no Mundial de África do Sul foi conseguida. "É o sonho de uma vida inteira. Foi uma longa caminhada, desde há muitos anos até aqui. Tivemos alguns sobressaltos, mas sempre a certeza de que estávamos no caminho certo. Como já tinha dito, as maratonas só acabam no fim", lembrou Carlos Queiroz, cujas primeiras palavras foram dirigidas para os atletas... e as últimas para os críticos. "Quero congratular primeiro os jogadores. Deixo também a minha gratidão para todos os que acreditaram em mim. Não tenho tempo para determinadas críticas. Para quem tem agendas pessoais não tenho tempo", atirou o seleccionador nacional, que manteve o discurso de defesa do conjunto nacional."A forma como a equipa se bateu na Albânia e na Suécia... o espírito tem sido fantástico. Hoje foi o expoente máximo das virtudes que a equipa tem vindo a apresentar. Cada um sabe o seu papel, mas o 'nós' é o mais importante", reiterou o moçambicano Queiroz, que salientou a satisfação de todo o grupo. "O ambiente foi espectacular, a festa dos adeptos foi exemplar. Estão de parabéns. Mas a equipa portuguesa está de parabéns, foi brilhante. Faltou apenas o segundo golo para acalmar e acabar de vez com o jogo", rematou, não esquecendo o sucesso alcançado. "É um momento alto, mas, graças a Deus, já tive grandes momentos na minha carreira e na minha vida. Estamos satisfeitos, mas agora temos de nos preparar para prestigiar Portugal no Campeonato do Mundo. Os momentos de sucesso são sempre os melhores", garantiu.Mas se por um lado Portugal conseguiu o apuramento para a fase final do Mundial, o macua Carlos Queiroz advertiu, por outro, para as dificuldades que a equipa poderá sentir na fase final. "Agora vamos descansar um pouco, porque vem aí uma nova etapa, e reflectir sobre como preparar a equipa para o Mundial. Nesta prova haverá características próprias, como jogar em África durante o Inverno. Por isso vamos, nesta preparação, criar um alto grau de exigência", sustentou.       
Last Updated ( Thursday, 19 November 2009 12:42 )
 

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